O plenário da Câmara Municipal de Mogi das Cruzes foi ocupado por diversidade, resistência e afirmação política no último dia 23, durante a entrega da Medalha Paz e Liberdade, realizada às 19h. Mais do que uma sessão solene, o momento se consolidou como um ato público em defesa da democracia, da liberdade religiosa e do combate ao racismo estrutural.
A homenagem reconheceu 15 personalidades, empresas e instituições que atuam na linha de frente contra a intolerância religiosa e na valorização da cultura negra e das religiões de matriz africana — historicamente marginalizadas e alvo de violência no Brasil. Em um cenário onde esses ataques ainda persistem, a iniciativa reforça a urgência de políticas públicas e posicionamentos firmes em defesa da laicidade do Estado.
O plenário cheio, diverso e vibrante não foi apenas cenário, mas expressão concreta de um povo que exige respeito. Corpos, histórias e identidades que por muito tempo foram silenciados ocuparam o centro do debate, transformando o espaço institucional em um território de visibilidade e reconhecimento.
A Medalha Paz e Liberdade, nesse contexto, vai além de uma honraria: é um posicionamento político. Um recado claro de que não há espaço para discriminação, intolerância ou apagamento cultural. É também um chamado à responsabilidade do poder público para garantir direitos, proteger comunidades e enfrentar, de forma efetiva, todas as formas de preconceito.
Em tempos de disputa de narrativas, a mensagem que ecoou na Câmara foi direta: defender a liberdade religiosa e a cultura afro-brasileira é defender a própria democracia. E essa luta não pode ser simbólica — precisa ser contínua, coletiva e comprometida com a transformação social.



